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Verdade inventada




Eu costumava acreditar nas pessoas. Houve uma época em que acreditar nelas, no que diziam, no que pareciam ser, sentir e querer era fácil. Muito mais fácil do que duvidar. Duvidar dava trabalho. 

Era como uma criança que se ilude com toda e qualquer história que um adulto ou até mesmo outra criança conte a ela. Às vezes alguns porquês surgiam, mas logo já eram substituídos pela fé na sinceridade das respostas.

Hoje os porquês são muitos. E acreditar passou a ser um desafio. 

Aquela criança inocente e crente em tudo foi embora. Completamente. No entanto, parte dela deveria ter permanecido.

Tantas mentiras, tantas promessas não cumpridas, tanto fingimento fizeram com que ela, aos poucos, morresse. 

É preciso resgatá-la. A fé nos homens, nos amigos, na família, enfim, nas pessoas precisa voltar a existir.  Queria retornar àquela época em que suspeitas não passavam pela minha cabeça, em que eu me doava sem medo de estar sendo enganada, em que não era obrigada a ser o que não sou: dura e extremamente racional. 

Para isso, preciso de pessoas verdadeiras, que digam exatamente o querem, que sejam exatamente o que são, que mudem de idéia, de atitude de sentimentos, quando necessário, mas não mudem a sinceridade de suas palavras.



Escrito por Aninha às 10h34
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Incertezas

O BBB9, menos comentado e visto que as 8 edições anteriores, é a famosa disputa de quem acredita que 1 milhão de reais pode gerar a realização de sonhos e a felicidade.

Muita gente quer. Muita gente luta. A disputa é acirrada. Por isso ali não há amigos, apenas competidores que almejam o título de milionários. E, apesar de muitos negarem, estão dispostos a muita coisa pra alcançar esse objetivo.

Alcançar a felicidade é realmente uma luta. Mas uma luta conosco, uma luta interna, às vezes solitária.

Não é o milhão, a fama ou o que recebemos -seja lá o que for - do outro que a traz. Somos nós...apenas nós.

Vivo brigando comigo mesma. Uma luta que não acaba nunca. 

Um dia quero, no outro não tenho tanta certeza. Um dia faço, no outro me arrependo. Então, em outra oportunidade não faço, e o arrependimento é ainda maior. Algumas vezes penso que vou me arrepender, mas me surpreendo. 

Em um dia não gosto de peixe e detesto o lugar onde vou comê-lo. No outro o peixe parece saboroso e o local agradável. Em um certo momento não quero sair de casa, mas o desejo muda e não volto pra ela tão cedo.

Se cultivo um sentimento por alguém, ele pode mudar a qualquer momento ou durar pra sempre... De repente algo novo pode surgir e então tudo muda.

Tenho poucas certezas. A de que 1 milhão não vai me ajudar nessa luta é uma delas. E, a mais importante, é de que, nessa luta, não há perdedores. Só temos o direito de vencer. Vencer os medos, vencer as incertezas, vencer as dúvidas. Como? Continuando a experimentar e a descobrir tudo o que for possível... até o fim!!!!!

 



Escrito por Aninha às 20h09
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Reaprendendo...

Estava revendo meu perfil no orkut hoje - coisa que não faço com tanta frequência -  e me deparei com o tópico"com os relacionamentos anteriores aprendi".

Tinha já me esquecido do que havia colocado lá: um trecho de Clarice Lispector.

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Muito bonito, não é? Como tudo que Clarice disse ou escreveu. 

Mas difícil...

Sim...eujá me rendi. Sim...eu já mergulhei. E não...não procurei entender. 

Meus relacionamentos anteriores, cada um na sua maneira, foram intensos. Especialmente porque fiz exatamente o que Clarice aconselha. E não me arrependi. 

A questão agora é: eu me renderia novamente? Mergulharia da mesma forma? 

Se os relacionamentos anteriores tivessem deixado apenas essa lição, com certeza eu repetiria tudo da mesma forma. Porém, as lições foram muitas. Algumas muito difíceis. Outras muito boas. Algumas complicadas...

Ao invés de fazer o que diz a música do Capital Inicial, "parei de pensar e comecei a sentir", descobri como fazer o contrário: parei de sentir e comecei a pensar. E penso muito. E avalio muito. E calculo cada passo, cada reação, cada atitude. E o saldo final desse cálculo não tem sido positivo. 

Quero mudar essa conta. Quero me render, quero mergulhar, quero viver a emoção, o sentimento, a paixão sem procurar entendendimentos. Quero, verdadeiramente, me apaixonar... Quero reaprender a amar...

Quem vai me ensinar?

 

*** Isso me faz lembrar do filme Alguém tem que ceder. Nesse caso, já sabemos quem... 

 

 



Escrito por Aninha às 18h43
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"Quando a gente fica em frente ao mar

a gente se sente melhor"

Nando Reis, A letra A

 

Não sou uma pessoa mística. Tenhos minhas crenças - católicas, como já contei num outro post, mas misticismo me falta. 

No entanto, quando se trata da natureza - especialmente da praia, do mar - sinto "o universo conspirando a meu favor". Eu diria que ali, as vibrações são sempre positivas e grandes energias me fazem voltar renovada cada vez que tenho a chance de estar nesse lugar.

Há alguma magia entre mim e o mar. Algo que não sei explicar. Sou capaz de ficar parada horas e horas diante dele só admirando sua beleza e grandiosidade. Sou capaz de ficar horas dentro dele me divertindo e relaxando nas suas águas. 

É por isso que não me canso de ir à praia. E o camping acaba sendo a melhor alternativa para voltar sempre. Afinal, é muuuuuuuuuito barato. E divertido!

E o melhor: as praias nesses casos são divinas. Perfeitas. Maravilhosas.

Nada de Praia Grande, Ubatuba. Não! Muvuca! 

Quero tranquilidade, quero paz quando vou para a praia. E conhecer pessoas diferentes. Pessoas que estão buscando a mesma coisa.  Quero fugir de Itajubá. Não encontrá-la quase inteira ao caminhar do quiosque para o mar...

2008 foi um ano carregado. Não sei qual a relação disso e se existe, mas no ano em que me faltaram viagens à praia muitos problemas aconteceram. Foi um ano de grande estresse. 

Sentia falta do mar. Precisava ir pro mar. Faltaram feriados!

Já 2009 começou maravilhosamente bem. Pouso da Cajaíba foi nosso refúgio. Não tão menos muvucado como esperávamos, mas com uma beleza indescritível e imensurável. 

Lavei a alma, lavei o corpo e deixei pra trás as tristezas e os desabores de 2008. O mar levou. 

Renovada, adquiri forças para encarar um 2009 cheio de desafios: novo emprego e muitas outras novidades pela frente. Sim, muita coisa estará diferente no final deste ano. E voltarei aqui para confirmar!!!!!!! 

Um mega bjo a todos e um 2009 tão perfeito qto foi meu reveillon!!!

Aí está...Pouso da Cajaíba! O verdadeiro paraíso!




Escrito por Aninha às 17h15
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Ai...o Natal!!!!

Que delícia é comemorar o Natal!

Ontem, quando voltava de um barzinho no fim do dia, fiquei observando o movimento das pessoas nas casas. Gente entrando e saindo, gente sorrindo, gente se abraçando. Parecia mesmo cena de filme.

Muitos, muitos carros em frente as casas, muita música, muita alegria.

É esse o motivo que torna o Natal tão especial e tão esperado. Independente de religião, encontramos no Natal o melhor momento do ano. Amigos, famílias se reunindo, matando a saudade, contando histórias, dividindo as alegrias, compartilhando ou até doando esperança para um ano novo melhor. 

É verdade que muitas vezes deixamos de lado o sentido primeiro - do nascimento de Jesus -, acabamos nos entregando ao capitalismo e comprando presentes e mais presentes.

Mas que pecado há nisso? Se podemos, que mal há em presentearmos quem amamos? Muitos de nós têm apenas o Natal para fazerem isso. 

Presentear não é só comprar. Presentear é lembrar do outro, é dedicar tempo e dinheiro à procura de um presente ou uma simples lembrança que mostre o quanto o outro é especial para nós. 

E quando não é possível vir o presente...bem...aí nos resta o que ainda é melhor que o presente: abraços, beijos, carinhos, conversas, piadas, fotos e mais fotos!!!

E, a cada Natal, renovamos nossas energias, renovamos nossa esperança, renovamos o amor que não nos separa da família e dos amigos. 

Pensando bem...o Natal poderia existir mais vezes no ano...

Ai...como seria bom!!!!!!!!

 



Escrito por Aninha às 18h15
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Só o ano, nada de novo

Há 8 dias de um novo ano, é natural que repensemos nossas vidas, avaliemos o ano que passou e planejemos novos feitos para o ano que virá. Muita gente - inclusive - costuma fazer promessas de Ano Novo. "Vou parar de fumar", "Vou começar uma dieta", "Vou levar a ginástica a sério" são algumas das promessas mais frequentes. Aquelas do tipo "segunda-feira eu começo", mas que não determinam exatamente qual segunda será. 

Deixamos para a segunda seguinte, para o mês seguinte, e, neste momento, para o ano seguinte mudanças e atitudes que poderiam ser definidas já. Adiamos decisões importantes ou um simples telefonema. O ano seguinte acaba sendo uma promessa que nunca se cumpre. Ele passa e, no final dele, quando estamos repensando o que fizemos e definindo novas promessas, percebemos que elas são as mesmas de 2007, de 2006, de 2005...

De repente nos vemos exatamente iguais ao que éramos há 10 anos. E nos assustamos! É aí que percebemos que nosso medo de enfrentar a mudança não nos permitiu nos tornarmos melhores. Melhores conosco. Melhor comigo mesma.

A mudança assusta, gera insegurança, medo. Mas traz realização. Mudar é necessário. Mudar de emprego, trocar o costumeiro barzinho da happy hour por um diferente, mudar as companhias - manter algumas, acolher outras novas -, mudar de casa, às vezes de cidade, mudar de namorado (quem sabe?), mudar de canal - ou desligar a tv?! 

Seja o que for...mudar de verdade para que, daqui dez anos, não nos olhemos no espelho e enxerguemos exatamente a mesma pessoa, as mesmas dúvidas, as mesmas qualidades, os mesmos defeitos, as mesmas frustrações, as mesmas realizações e nada, absolutamente nada, diferente. Só mais um ano novo! Só o ano...

 



Escrito por Aninha às 17h59
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Conta inexata

Difícil falar da gente quando os outros não estão dispostos a ouvir. Difícil insistir em mostrar quem realmente somos se preferem tirar suas próprias conclusões.

Alguns afirmam que somos o que ouvimos. Certa propaganda na TV diz "Você é o que você vê", e tem quem repita aquele antigo ditado "Diga-me com quem andas e te direi quem és".

Nada disso responderia à pergunta "Quem sou eu?".

Na verdade sou a soma de inúmeras experiências. Sou o resultado da soma, às vezes subtração, de todos os tropeços e das vitórias, dos sofrimentos e das alegrias, das lágrimas e dos sorrisos.

Sou o que digo dividido por tudo o que não manifesto nunca. Sou o que sinto multiplicado a tudo que quero sentir. 

O que você vê, o que você pensa, o que pareço é muito pouco diante de tudo o que sou. Há muito mais. Muito mais defeitos, muito mais qualidades.

Amanhã...amanhã talvez não seja mais. Amanhã as somas, as multiplicações, as divisões, as subtrações mudarão. Os valores presentes nelas mudarão. E o resultado final com certeza será diferente do que existe agora. Pouco ou muito, não importa.  Melhor ou pior...não sei. Apenas diferente.

Só sei que não sou uma conta exata. Não espere de mim sempre o mesmo resultado.

Até porque parte dele depende de você. Qual foi sua parcela??? Ela altera - e muito -  o resultado final!!



Escrito por Aninha às 18h34
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Quero o novo

Dizem que não podemos ter tudo na vida. Já ouviu aquele ditado "Sorte no jogo, azar no amor"? (Ou seria o contrário????)

Não posso acreditar nisso. Não posso simplesmente aceitar que essa seria a minha realidade e acatar "as forças do universo" favoráveis ou contrárias às minhas realizações.

Não posso porque, se assim o fizer, estarei não só abrindo mão de sonhos e desejos como também perdendo o sentido de muita coisa na vida.

Mas a verdade é que somos nosso universo, criamos nosso universo, contruimos nosso universo. Se uma das áreas da minha vida não está tendo o sucesso que a outra tem (Graças a Deus!) é porque não dediquei a ela tudo o que precisava. Não investi tempo, não investi forças, não investi esperanças nem sonhos ou desejos.

Sei que agora não adianta chorar por tudo o que se foi e que deixei escapar. Sei também que tenho ainda muito o que agradecer pelo que conquistei até hoje no campo profissional.

E o melhor: sei que sempre há chance de reconstruir. Não o que não deu certo. Isso já se perdeu - agora me dei conta! Mas mudar de postura em relação àquilo que surgir pode ser um caminho.

Às vezes dá medo. Sim! Tenho medo! Medo de outras oportunidades não surgirem. Medo de não enxergar a que vier. Medo de cometer os mesmos erros.

Mesmo com todos esses medos, mesmo com todas as incertezas, vou acreditar! Acreditar que algo novo está para surgir. Afinal, não posso ter tudo o que quero...talvez, mas posso acreditar que um dia terei!

E isso...ah...isso ninguém tira de mim!!!

E para completar: sim! "Eu quero sempre mais!! Mais que hoje, mais que ontem, eu quero sempre mais do que eu posso ter!"

 

 



Escrito por Aninha às 19h29
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Oportunizar e realizar

Em uma de suas concepções, o dicionário Houaiss caracteriza a palavra oportunidade como "circunstância oportuna, favorável para a realização de algo".

Realizar... Sonhamos com realizações quase diariamente. Minha vida sem vontade, sonho, desejo de realizar algo é vazia, insossa. Mas não há realização se não aproveitar as oportunidades. E aproveitar oportunidades, independente do que representem, é ter coragem de arriscar, de enfrentar a vida sem se esconder.

Algumas oportunidades que surgem me deixam extremamente disposta, animada, decidida. Em geral costumo ser assim. Agarro-as com unhas e dentes. Dedico-me a elas com todas as minhas forças. Não há cansaço, não há exaustão, não há hesitação.

Mergulho completamente nesse rio. Não importa como esteja a correnteza e o quanto possa ou não visualizar o outro lado. Afundo-me, apesar do medo. Sim, tenho medo. Sinto-me insegura, mas a vontade de chegar ao outro lado é maior que ele. Mas o mais importante: a possibilidade de não alcançá-la não me assusta. Não assusta porque chegar lá depende muito mais de mim do que de qualquer outra barreira que possa existir. Meu esforço, minha vontade, o êxito na travessia valem muito mais.

Mas não é todo rio que me permite encarar assim as oportunidades. Aqueles que representam muito mais o que sinto do que o que faço. Aqueles que não possibilitam erros. Se não houver sucesso na primeira travessia, talvez não haja mais chances. Perder a primeira oportunidade de realizá-la pode representar o fim de toda possibilidade de enxergar o outro lado da margem e de descobrir seus segredos, suas maravilhas, suas armadilhas.

O medo de errar então me leva a não tentar. Fico à margem, observando e imaginando como seria. Pior, experimento outras travessias, em outros rios que não gerem tanta expectativa, tanto sentimento, tanto risco.

Um dia...um dia percebo que a oportunidade passou, que talvez ela não volte mais. Ou porque outra pessoa se arriscou, venceu os desafios e desvendou todos os mistérios presentes nesse rio...chegou à margem. Já ocupou seu lugar. Ou porque agora as águas estão bravias demais. Cansaram-se.

É só nesse dia em que descubro que perdi muito mais evitando as águas desse rio que teria perdido ao enfrentá-lo logo no início. Perdi a oportunidade. Joguei fora a possibilidade de realização.

Talvez o rio se acalme...talvez suas águas aceitem uma nova tentativa...talvez a outra margem ainda não esteja povoada, não tenha sido desbravada. Afinal, oportunidades surgem, mas outras podem ser criadas. Tudo depende da intensidade da vontade de realização...E essa é grande! Pode apostar!

 

 



Escrito por Aninha às 20h33
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Ter ou não ter namorado, eis a questão!

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas.  Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar.

Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.  Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança.

De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

ENLOU-CRESÇA!!!

                                    Artur da Távola

 

*** Encontrei esse texto (destaques meus) enquanto folheava uns livros. Já o conhecia, mas não me lembrava dele. De repente, ele começou a fazer sentido. De repente, ele conseguiu calar alguns bons argumentos que sempre uso para estar só. De repente, ele me fez pensar e repensar minhas escolhas. De repente, ele me fez entender que relacionamentos são importantes, também exigem maturidade, e, o melhor, nos ensinam o que é realmente amar. Quem sabe... um dia...   :P

E isso me fez lembrar o filme "De repente amor". Não sei porquê!!!!!! heheheheheheheheheheh



Escrito por Aninha às 14h00
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Um olhar....

Olhar que nos tira o chão, nos desconcerta, nos desconcentra. 

Olhar tão profundo, tão intenso que nos impede de fingir, de mentir.

Olhar que perturba, que incomoda, que atormenta. Fechamos os olhos, mas ele ainda está ali.

Olhar que hipnotiza. Não agimos nem reagimos.

Olhar que prende. Prende de tal maneira que dele não conseguimos fugir, porque sem ele não sabemos para onde ir, perdemos a razão, perdemos o encanto, perdemos a direção.

É um olhar que desequilibra. O mundo sem ele parecia bom. O mundo com ele pode vir a ser perfeito.

Um olhar que assusta. Diante dele nos tornamos frágeis, indefesos.

Olhar que acalma. Quando ele nos fita, o tempo pára, nada mais importa. Os problemas parecem insignificantes, as dores perdem a importância, as preocupações desaparecem e o mundo...ah! o mundo... se resume nesse olhar!

 

***Linguagem poética não é muito meu forte. Mas sentimento sim... Então, pra melhorar, uma de Tom Jobim abaixo. Ele que soube falar de amor como nenhum outro compositor!

"Esse teu olhar
quando encontra o meu
fala de umas coisas
que eu não posso acreditar

[...]

mas aí então
quando se desfaz
dói o coração
de quem sonhou, sonhou demais


ah se eu pudesse entender
o que dizem
teus olhos"

Tom Jobim



Escrito por Aninha às 21h38
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Cansativa TV!

Já não vejo mais TV. Ou melhor, já não vejo mais TV aberta.

Há muito ela já não faz mais parte das melhores opções para nossos momentos de lazer e entretenimento. Mas neste ano ela se superou. Especialmente quanto ao jornalismo. Se é que assim pode ser chamado o trabalho de algumas emissoras.

Poderia citar aqui inúmeras situações deste ano - tão trágico e conturbado em todas as áreas - em que o jornalismo da TV aberta explicitou sua pequenez. Mas fiquemos com os maiores, talvez mais sérios, focos da disputada audiência: Isabela Nardoni e Eloá.

Quem não se cansou de ver na nossa telinha tão adorada as lindas carinhas dessas duas vítimas?

E quem não se surpreendeu com os inúmeros casos semelhantes que surgiram depois de tudo isso? Crianças e bebês caindo de janelas de apartamentos. Mulheres assassinadas por maridos ou namorados inconformados com o fim do relacionamento.

E nós? Horrorizados. Aterrorizados. Assustados. Amedrontados. E cansados. Cansados de tanto ler, tanto ver, tanto ouvir.

De Isabela, hoje, pouco se fala. Mal se lembra. A sua trágica morte não dá mais IBOPE. Eloá, daqui semanas, talvez dias, já tenha sido esquecida.

E de que valerá tanta algazarra?

Vale ser a primeira a colocar o sequestrador ao vivo ao telefone. Vale mostrar cada passo da polícia. Vale a exploração do sofrimento da mãe da vítima, também da mãe do assassino. Vale a especulação sobre a ação da polícia. Vale a crítica a aqueles que ali estiveram, dentro das suas limitações, buscando a melhor solução para o caso.

Os problemas continuarão. A violência não acabará. A prisão e a justiça daqueles que mataram talvez nem se concretize. Só que a mídia não se importa. Não se importa porque a vida que se perdeu e as tantas outras que poderão ter o mesmo fim não valem nada. Isso não gera mais audiência.

Por isso cansei da TV. Ela que deveria informar, entreter, agora quer lucrar. E ficamos aqui, à mercê da sua vontade.

Já dizia Tony Belloto "A televisão me deixou burro, muito burro demais [...]Ô, Cride! Fala pra mãe que tudo que a antena capta meu coração captura"

Sorte que ainda me restam os dvd´s, os canais fechados, os livros e, claro, a net!!!

Só pra terminar... a propaganda do GNT afirma que "Você é o que você vê"!  Ainda bem que eu tenho o poder sobre o botãozinho que muda o canal  ou desliga a TV no controle remoto, do contrário, eu seria muito pouco, quase nada...

 

***Leiam o blog do Tony Belloto na VejaOnline, Cenas Urbanas. Há um texto perfeito sobre o caso Eloá. E leiam todos os outros dele também. São crônicas maravilhosas! Ah...e não estou ganhando pela propaganda, não! É vontade de partilhar boas leituras com vocês!!!!



Escrito por Aninha às 19h18
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Espatódea

Minha cor
Minha flor
Minha cara

Quarta estrela
Letras, três
Uma estrada

Não sei se o mundo é bão
Mas ele ficou melhor
Quando você chegou
e perguntou:
Tem lugar pra mim?

Espatódea
Gineceu
Cor de pólen

Sol do dia
Nuvem branca
Sem sardas

Não sei quanto o mundo é bão
Mas ele está melhor
Desde que você chegou
E explicou
O mundo pra mim

Não sei se esse mundo estã são
Mas pro mundo que eu vim já não era
Meu mundo não teria razão
Se não fosse a VITÓRIA
 
(NANDO REIS)


Escrito por Aninha às 21h20
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Dia do professor

15 de outubro. Dia do professor.

Não é de hoje toda discussão que há em torno dessa tão importante e tão pouco valorizada profissão. E não o digo por ser professora. Difícil encontrar alguém que conteste essa verdade: o professor não recebe a valorização que merece.

Em geral, acusamos o governo. E ele realmente tem sua parcela de culpa. O piso salarial do professor é baixo, as condições de trabalho precárias, os investimentos na nossa formação são poucos. Para disfaçar, para simular uma preocupação com a formação, o governo cria facilidades para que o professor tenha a tão famosa "formação continuada". Cursos a distância são abertos - em muitos deles não se exige frequência, quando exige, ela é mínima. Qual o objetivo disso? Um papel que dê à sociedade e ao próprio professor a sensação de que está sendo valorizado e melhor capacitado. Ilusão.

Enquanto isso, professores de escolas públicas e particulares enfrentam salas cheias. Cheias de alunos, mas vazias de interesse (com poucas exceções). Lutamos diariamente com a indisciplina, com a má vontade, com as inúmeras reclamações e com diversas críticas. Querem que sejamos artistas, não professores. Exigem criatividade constante, motivação, ânimo e bom-humor.

Cobranças, críticas, ordens, reclamações, desrespeito, desobediência...Nosso dia-a-dia é carregado, é pesado. Mesmo assim, insistimos em ser professores. E acreditem: não é por falta de opção. É escolha, é dom.

Insistimos não porque fomos destinados, mas por tudo isso e apesar de tudo isso. Insistimos porque, em meio a tanto desinteresse e desvalorização, encontramos maravilhosos  e sinceros sorrisos de boas-vindas! Insistimos porque, vez ou outra, somos acolhidos com um abraço carinhoso. Insistimos porque entre quarenta olhares, encontramos um - às vezes muito mais - brilhantes, desejosos do saber. Insistimos porque vez ou outra conseguimos inspirar, instigar, desafiar alguém a ser o melhor que se pode e não O melhor. Insistimos porque nos surpreendemos com o amor, carinho e agradecimento de quem menos esperávamos. E mais...muito mais do que isso, insistimos porque aprendemos muito mais que ensinamos - parece clichê, mas é fato! -, porque recebemos muito mais que damos, porque descobrimos, na convivência com esses inúmeros seres em formação, como ser uma pessoa melhor!!!!

***Aos alunos que passaram e ainda passarão, àqueles que me transformam a cada dia, que fazem da minha profissão um prazer, que fazem do meu dia-a-dia um constante desafio, que me trazem a certeza de que a escolha foi a melhor, o meu muito obrigada.



Escrito por Aninha às 19h52
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"Estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro".
                                                                                                                                                                                                               Clarice Lispector. Paixão Segundo G.H.

Escrito por Aninha às 18h30
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