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Verdade inventada




Eu costumava acreditar nas pessoas. Houve uma época em que acreditar nelas, no que diziam, no que pareciam ser, sentir e querer era fácil. Muito mais fácil do que duvidar. Duvidar dava trabalho. 

Era como uma criança que se ilude com toda e qualquer história que um adulto ou até mesmo outra criança conte a ela. Às vezes alguns porquês surgiam, mas logo já eram substituídos pela fé na sinceridade das respostas.

Hoje os porquês são muitos. E acreditar passou a ser um desafio. 

Aquela criança inocente e crente em tudo foi embora. Completamente. No entanto, parte dela deveria ter permanecido.

Tantas mentiras, tantas promessas não cumpridas, tanto fingimento fizeram com que ela, aos poucos, morresse. 

É preciso resgatá-la. A fé nos homens, nos amigos, na família, enfim, nas pessoas precisa voltar a existir.  Queria retornar àquela época em que suspeitas não passavam pela minha cabeça, em que eu me doava sem medo de estar sendo enganada, em que não era obrigada a ser o que não sou: dura e extremamente racional. 

Para isso, preciso de pessoas verdadeiras, que digam exatamente o querem, que sejam exatamente o que são, que mudem de idéia, de atitude de sentimentos, quando necessário, mas não mudem a sinceridade de suas palavras.



Escrito por Aninha às 10h34
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