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Oportunizar e realizar

Em uma de suas concepções, o dicionário Houaiss caracteriza a palavra oportunidade como "circunstância oportuna, favorável para a realização de algo".

Realizar... Sonhamos com realizações quase diariamente. Minha vida sem vontade, sonho, desejo de realizar algo é vazia, insossa. Mas não há realização se não aproveitar as oportunidades. E aproveitar oportunidades, independente do que representem, é ter coragem de arriscar, de enfrentar a vida sem se esconder.

Algumas oportunidades que surgem me deixam extremamente disposta, animada, decidida. Em geral costumo ser assim. Agarro-as com unhas e dentes. Dedico-me a elas com todas as minhas forças. Não há cansaço, não há exaustão, não há hesitação.

Mergulho completamente nesse rio. Não importa como esteja a correnteza e o quanto possa ou não visualizar o outro lado. Afundo-me, apesar do medo. Sim, tenho medo. Sinto-me insegura, mas a vontade de chegar ao outro lado é maior que ele. Mas o mais importante: a possibilidade de não alcançá-la não me assusta. Não assusta porque chegar lá depende muito mais de mim do que de qualquer outra barreira que possa existir. Meu esforço, minha vontade, o êxito na travessia valem muito mais.

Mas não é todo rio que me permite encarar assim as oportunidades. Aqueles que representam muito mais o que sinto do que o que faço. Aqueles que não possibilitam erros. Se não houver sucesso na primeira travessia, talvez não haja mais chances. Perder a primeira oportunidade de realizá-la pode representar o fim de toda possibilidade de enxergar o outro lado da margem e de descobrir seus segredos, suas maravilhas, suas armadilhas.

O medo de errar então me leva a não tentar. Fico à margem, observando e imaginando como seria. Pior, experimento outras travessias, em outros rios que não gerem tanta expectativa, tanto sentimento, tanto risco.

Um dia...um dia percebo que a oportunidade passou, que talvez ela não volte mais. Ou porque outra pessoa se arriscou, venceu os desafios e desvendou todos os mistérios presentes nesse rio...chegou à margem. Já ocupou seu lugar. Ou porque agora as águas estão bravias demais. Cansaram-se.

É só nesse dia em que descubro que perdi muito mais evitando as águas desse rio que teria perdido ao enfrentá-lo logo no início. Perdi a oportunidade. Joguei fora a possibilidade de realização.

Talvez o rio se acalme...talvez suas águas aceitem uma nova tentativa...talvez a outra margem ainda não esteja povoada, não tenha sido desbravada. Afinal, oportunidades surgem, mas outras podem ser criadas. Tudo depende da intensidade da vontade de realização...E essa é grande! Pode apostar!

 

 



Escrito por Aninha às 20h33
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